O mês de fevereiro de 2026 marca um divisor de águas no mercado brasileiro de aço. Enquanto muitos gestores de compras ainda estão focados apenas no preço da tonelada, uma mudança regulatória silenciosa está prestes a redefinir completamente a equação de custos — e quem não se preparar pode ver seu orçamento explodir da noite para o dia.
Em 28 de janeiro de 2026, o Gecex aprovou medidas antidumping definitivas sobre aços pré-pintados da China e Índia, válidas por cinco anos. Mas isso é apenas a ponta do iceberg. O que realmente importa está acontecendo agora.
As datas críticas:
- 19 de fevereiro de 2026: Decisão final sobre laminados a frio (CRC)
- 2 de março de 2026: Definição sobre galvanizados (HDG)
As tarifas antidumping devem ficar entre US$ 400 a US$ 450 por tonelada para pré-pintados. Para laminados a frio, projeções indicam US$ 141/ton e US$ 102/ton para galvanizados.
O Que Muda na Prática Para Seu Bolso
Vamos traduzir em números reais: uma empresa que importa 100 toneladas mensais de aço laminado a frio da China pode ver seu custo aumentar em até US$ 14.100 por mês — ou R$ 846 mil por ano (considerando câmbio a R$ 6,00). E não estamos falando de especulação: o governo já elevou tarifas de nove NCMs de aço para 25% por 12 meses.
Produtos mais afetados:
- Laminados a frio (23% da produção da Usiminas depende deste mercado)
- Galvanizados (30% da demanda interna é importada, quase toda da China)
- Chapas e bobinas revestidas, inoxidáveis e siliciosas
- Fio-máquina e bobinas a quente
A China responde por mais de 95% das importações de aço pré-pintado. Segundo análise do BofA, com preços substancialmente mais baixos que outros fornecedores, a medida antidumping será altamente eficaz — tradução: não haverá para onde correr.
As Três Armadilhas Que Podem Quebrar Seu Planejamento
- Armadilha 1: Contratos Sem Proteção Cambial e Tarifária
- Muitas empresas fecharam contratos em 2025 com preços baseados em importações baratas. Com o antidumping, o fornecedor pode simplesmente não conseguir honrar o preço — e você fica sem produto ou paga a diferença. Pior: sem cláusula de revisão tarifária, você pode acabar na Justiça discutindo quem assume o prejuízo.
- Armadilha 2: A Ilusão da Triangulação
- Já estão surgindo ofertas de aço “vietnamita” ou “indiano” a preços chineses. Cuidado: o governo está de olho. Em 2024, o MDIC interrompeu seis operações que burlavam medidas antidumping, totalizando R$ 100 milhões em tarifas não recolhidas. A Receita Federal pode cobrar retroativamente os valores devidos. Quem comprar produto com origem fraudada pode ter a mercadoria retida e ainda responder por sonegação fiscal.
- Armadilha 3: Estoques Mal Dimensionados
- O presidente do Inda afirmou que “importações fechadas agora possam ser taxadas daqui dois ou três meses”. Tradução: quem não se posicionou está correndo para formar estoque — e pode ficar sem produto ou pagar ágio pesado. Por outro lado, estocar demais agora com preço alto pode te deixar com produto encalhado se a demanda cair.
O Efeito Dominó em 2026
O cronograma prevê:
- Março 2026: Aço pré-pintado (decisão complementar)
- Dezembro 2026: Laminados a quente — Usiminas e CSN têm 31% de exposição
Marco Polo Lopes, do Instituto Aço Brasil, foi direto: “Em 2025, entrou no Brasil o equivalente a 25% das nossas vendas anuais. Todo mecanismo que travar importações predatórias é positivo.”
Como a VAIO Protege Você
Enquanto outros reagem, quem trabalha com inteligência antecipa. A VAIO monitora em tempo real:
✓ Publicações do Gecex/Camex antes que virem notícia
✓ Variações de NCM que impactam classificação tarifária
✓ Movimentos de preço nas principais usinas
✓ Alertas de fraude em origens suspeitas
Defesa comercial exige inteligência. O antidumping está vindo. A questão não é “se”, mas quanto custará para quem não se preparou.
O próximo movimento é seu: reagir quando tudo mudou, ou antecipar?